{"id":882,"date":"2020-05-25T13:50:51","date_gmt":"2020-05-25T16:50:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ediyporn.com\/?post_type=posts_diversos&#038;p=882"},"modified":"2020-06-01T12:37:10","modified_gmt":"2020-06-01T15:37:10","slug":"pos-porno-sud-aca","status":"publish","type":"posts_diversos","link":"https:\/\/www.ediyporn.com\/en\/posts_diversos\/pos-porno-sud-aca\/","title":{"rendered":"P\u00f3s-porn\u00f4 sud-ac\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da p\u00f3s-pornografia merece contemplar sua reapropria\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e as tor\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, est\u00e9ticas e pornogr\u00e1ficas que ocorrem aqui. Os referentes, as tem\u00e1ticas, as bases te\u00f3ricas <em>queer<\/em> do p\u00f3s-porn\u00f4 europeu est\u00e3o sendo revistos em nosso continente, a fim de encontrar as express\u00f5es p\u00f3s-pornogr\u00e1ficas propriamente latinas, de acordo com os imagin\u00e1rios sexuais a serem conquistados e as reivindica\u00e7\u00f5es feministas que ainda n\u00e3o foram alcan\u00e7adas nessas terras. Olhar para a p\u00f3s-pornografia latino-americana envolve observar atentamente as novas produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que trabalham para tornar vis\u00edveis as v\u00e1rias express\u00f5es da sexualidade que historicamente eram estigmatizadas em nosso continente. Mas implica tamb\u00e9m uma leitura cr\u00edtica do problema da hegemonia cultural que permeia tanto o desenvolvimento te\u00f3rico das academias latino-americanas quanto a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e dos quais nossa p\u00f3s-pornografia n\u00e3o \u00e9 alheia: tanto no campo do pensamento cr\u00edtico como no campo da express\u00e3o art\u00edstica, o caminho sempre foi marcado pelo que foi discutido e produzido nos centros dominantes do mundo. E esse texto \u00e9 sobre isso, ou pelo menos uma tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o dessa leitura. De qualquer forma, bem-vindos sejam quaisquer dos motivos que nos levem a mergulhar na p\u00f3s-pornografia produzida no Sul ou \u2013 como eu gosto de cham\u00e1-la carinhosamente \u2013 no p\u00f3s-porn\u00f4 <em>sud-ac\u00e1<\/em>.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>NT: Sudaca, termo que se refere \u00e0 pessoas nascidas ou coisas feitas em um pa\u00eds da Latino Am\u00e9rica. Inicialmente era usado pejorativamente, mas nos reapropriamos. Neste t\u00edtulo a autora fez um jogo de palavras com ac\u00e1, em portugu\u00eas: aqui. Poder\u00edamos traduzir para sudaca daqui, mas assim perder\u00edamos o sentido e o jogo feito por Laura, ent\u00e3o optamos por manter sud-ac\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><strong>P\u00f3s-porn\u00f4 latino, filial ou empreendimento?<\/strong><\/p>\n<p>Mais uma vez reviso os filmes, os textos te\u00f3ricos, as refer\u00eancias que se dizem necess\u00e1rias no campo da p\u00f3s-pornografia e tudo o que seria importante saber para investigar esse tema. Mais uma vez redijo linhas e linhas descrevendo hist\u00f3rias, argumentos e experi\u00eancias que acontecem em outras terras, bem diferentes das nossas. A aus\u00eancia de refer\u00eancias regionais e locais \u00e9 evidente. Mais uma vez, a influ\u00eancia dos pa\u00edses centrais delimita o caminho do que pode ser dito, do que \u00e9 pens\u00e1vel e da perspectiva do que \u00e9 observ\u00e1vel. Os centros de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento mais legitimados definir\u00e3o a agenda, inclusive para tem\u00e1ticas sem agenda p\u00fablica, como a p\u00f3s-pornografia. A produ\u00e7\u00e3o de teoria, material audiovisual, fotografia e outras express\u00f5es nascidas nos centros de arte e nas academias europeias e americanas ser\u00e3o aquelas que leremos deste lado do mundo e que servir\u00e3o como material de forma\u00e7\u00e3o em p\u00f3s-porn\u00f4. E ent\u00e3o diremos, sem repetir e sem \u2018colar\u2019, que sabemos o que \u00e9 p\u00f3s-porn\u00f4 e que queremos faz\u00ea-lo e estud\u00e1-lo aqui como acontece naquelas latitudes sem dar muita import\u00e2ncia a que \u2013 apesar de compartilhar o desgosto contra o sistema heteronormativo e a reivindica\u00e7\u00e3o por sexualidades dissidentes \u2013 n\u00e3o somos o mesmo.<br \/>\nSurge ent\u00e3o a mesma situa\u00e7\u00e3o paradoxal que constantemente observamos e discutimos em nossas universidades e centros de arte latino-americanos: podemos escapar da influ\u00eancia das produ\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas dos pa\u00edses centrais estando na periferia? \u00c9 poss\u00edvel produzir conhecimento e express\u00e3o art\u00edstica com uma perspectiva inteiramente latino-americana que n\u00e3o olhe mais para a Europa, mas que olhe e pense sobre si mesma? Como evitar a absor\u00e7\u00e3o acr\u00edtica do pensamento e da arte produzidos fora e extrair da\u00ed as ferramentas te\u00f3ricas e expressivas que nos podem ser \u00fateis para produzir em nosso continente? E para abrir o debate sobre como esse paradoxo se reflete na p\u00f3s-pornografia, vale pensar nessas perguntas: como se apropriar da p\u00f3s-pornografia para que seja uma ferramenta potente para erotizar e ativar nosso imagin\u00e1rio sexual e n\u00e3o apenas um dildo colonizador de penetra\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel e invasiva? Como realizar uma produ\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pornogr\u00e1fica que n\u00e3o seja uma filial do p\u00f3s-porn\u00f4 europeu, mas sim, um empreendimento art\u00edstico-pol\u00edtico com uma perspectiva local-regional?<br \/>\nSabendo que grande parte da produ\u00e7\u00e3o pornogr\u00e1fica que consumimos prov\u00e9m de grandes centros de produ\u00e7\u00e3o, como a Europa ou Estados Unidos, poder\u00edamos cair no mesmo dom\u00ednio cultural atrav\u00e9s da p\u00f3s-pornografia se n\u00e3o pensarmos em uma produ\u00e7\u00e3o e uma reflex\u00e3o sobre a mesma. Por esse motivo, \u00e9 importante problematizar o espa\u00e7o p\u00f3s-pornogr\u00e1fico nos n\u00edveis local e latino-americano. Esquecer isso nos levaria a consumir o discurso p\u00f3s-pornogr\u00e1fico anglo-sax\u00e3o como um mero produto importado, sem refletir criticamente sobre as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o em que foi configurado e as condi\u00e7\u00f5es de recep\u00e7\u00e3o em que \u00e9 consumido na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p><strong>Situadxs: Artistas e obras p\u00f3s-porn\u00f4 sud-ac\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>A p\u00f3s-pornografia pensada e realizada na Am\u00e9rica Latina apresenta certas caracter\u00edsticas que a diferenciam da p\u00f3s-pornografia europeia. Por um lado, criticam a pornografia e a ordem sexual a partir de hist\u00f3rias que nos permitem recuperar n\u00e3o apenas as express\u00f5es est\u00e9ticas de nossas culturas latino-americanas, mas tamb\u00e9m nossas recentes hist\u00f3rias pol\u00edticas. Penso no trabalho art\u00edstico de Felipe Rivas San Mart\u00edn, ativista chileno, te\u00f3rico e artista que \u00e9 membro do CUDS. Em seu v\u00eddeo <em>Ideolog\u00eda<\/em> (2011), Felipe se masturba e goza \u00e0 moda <em>cum-shot<\/em> na foto de Salvador Allende, enquanto faz uma cr\u00edtica \u00e0s condi\u00e7\u00f5es e mecanismos da produ\u00e7\u00e3o pornogr\u00e1fica em que o ato s\u00f3 importa para ser registrado e ganha valor pornogr\u00e1fico por meio da ejacula\u00e7\u00e3o frente \u00e0 c\u00e2mera. O v\u00eddeo re\u00fane aspectos biogr\u00e1ficos narrados seguindo o ritmo e o tom dos discursos pol\u00edticos, enquanto a masturba\u00e7\u00e3o na frente da c\u00e2mera \u00e9 intercalada com imagens importantes da hist\u00f3ria pol\u00edtica do Chile. A ejacula\u00e7\u00e3o em primeiro plano na foto do l\u00edder socialista chileno refor\u00e7a o artif\u00edcio da pornografia e destaca seu efeito ideol\u00f3gico.<br \/>\nO segundo artista que acho interessante mencionar \u00e9 o mexicano Felipe Osornio &#8211; Leche de Virgen Trimegisto. Uma das quest\u00f5es mais potentes em seu trabalho como artista perform\u00e1tico \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o do \u00e2nus como uma \u00e1rea desej\u00e1vel e como um paradigma para a desterritorializa\u00e7\u00e3o do prazer. Se a pornografia nos mostra que a sexualidade est\u00e1 focada em nossos \u00f3rg\u00e3os genitais, o desempenho e o trabalho audiovisual de Leche de Virgen Trimegisto nos chamam para erradicar essa verdade constru\u00edda e mostrar que outras partes poss\u00edveis do corpo s\u00e3o zonas er\u00f3genas. Outro aspecto interessante sobre a proposta p\u00f3s-porn\u00f4 do artista \u00e9 sua erotiza\u00e7\u00e3o do corpo atrav\u00e9s do abjeto, da est\u00e9tica escatol\u00f3gica e marcadamente barroca que o distancia do c\u00e2none do corpo marcado pela pornografia, como pode ser visto em seu trabalho de performance em v\u00eddeo <em>Stupra Purgata<\/em> (2011).<br \/>\nPor outro lado, a valiosa contribui\u00e7\u00e3o que algumas produ\u00e7\u00f5es p\u00f3s-porn\u00f4 latino-americanas est\u00e3o fazendo em prol da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto e pela den\u00fancia da viol\u00eancia de g\u00eanero abre a possibilidade de considerar a p\u00f3s-pornografia como um canal de comunica\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre as reivindica\u00e7\u00f5es dos feminismos na regi\u00e3o. Nesse sentido, vale destacar o trabalho da artista colombiana Nadia Granados, que, por meio de sua personagem La Fulminante, desenvolve uma arte altamente pol\u00edtica e panflet\u00e1ria que quer ir al\u00e9m do que \u00e9 simplesmente est\u00e9tico e pornogr\u00e1fico. La Fulminante \u00e9 uma mulher sexualmente provocante, inspirada nas fantasias er\u00f3ticas constru\u00eddas pela pornografia. Ele usa a sensualidade de seu corpo e a provoca\u00e7\u00e3o de seus gestos para a dissemina\u00e7\u00e3o de ideias libert\u00e1rias contra a Igreja, o Estado, a corrup\u00e7\u00e3o, o poder pol\u00edtico e, fundamentalmente, contra o patriarcado. Seu trabalho \u00e9 uma apropria\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pornogr\u00e1fica n\u00edtida, baseada no uso de recursos e clich\u00eas da pornografia e da sensualidade feminina para transmitir uma mensagem totalmente cr\u00edtica. Se a pornografia mostra as mulheres como objetos sexuais, La Fulminante assume o papel que lhe foi imposto e o usa para denunciar o sistema ao qual ela se op\u00f5e. Al\u00e9m do intenso trabalho como artista performer, La Fulminante possui uma plataforma online onde voc\u00ea pode ver suas produ\u00e7\u00f5es audiovisuais. Para citar duas obras em que a criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 denunciada, vale mencionar o v\u00eddeo <em>Maternidad Obligatoria<\/em> (2011), no qual ela faz um mon\u00f3logo diante da c\u00e2mera sobre a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto na Am\u00e9rica Latina, a pobreza e a obrigatoriedade de manter gravidezes acidentais ou indesejadas, enquanto chupa sugestivamente um preservativo cheio de s\u00eamen; e o v\u00eddeo <em>Mujeres Reventando Cadenas<\/em> (2011), na qual ela vai tirando pequenos bonequinhos-beb\u00eas de suas meias e os coloca em uma camisinha. Depois ela infla o preservativo com a boca e o explode em mil peda\u00e7os.<br \/>\nOutros artistas latino-americanos ou radicados na Latino America que colaboraram na expans\u00e3o da p\u00f3s-pornografia em nossa regi\u00e3o s\u00e3o Frau Diamanda (Peru), Yla Ronson (Espanha-Argentina), Hija de Perra (Chile), Eli Neira (Chile), Constanza \u00c1lvarez Castillo (Chile), Aily Habibi (Col\u00f4mbia-Argentina), Coletivo COIOTE (Brasil), entre muitos artistas emergentes no campo da arte contempor\u00e2nea ou ativismo de dissid\u00eancia sexual. Embora eles n\u00e3o tenham sido apresentados corretamente aqui, recomendo vivamente que abordem o trabalho deles e continuem pesquisando a vasta produ\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pornogr\u00e1fica que est\u00e1 ocorrendo em nossa regi\u00e3o e que eu convido voc\u00ea a descobrir na \u00edntegra.<\/p>\n<p><strong>Do cu do mundo, continuamos pensando<\/strong><\/p>\n<p>A p\u00f3s-pornografia produzida em nosso continente n\u00e3o s\u00f3 tem o poder de dar visibilidade aos desejos de sujeitos sexuais sempre marginalizados pela cultura profundamente machista e patriarcal de nossos pa\u00edses, mas tamb\u00e9m tem o potencial de ser um discurso de den\u00fancia e cr\u00edtica contra as v\u00e1rias opress\u00f5es &#8211; classe, ra\u00e7a e g\u00eanero &#8211; que operam nesses assuntos. O p\u00f3s-porn\u00f4 pode atuar como um discurso cr\u00edtico n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o ao regime heterossexual obrigat\u00f3rio, como colocado por Monique Wittig, mas tamb\u00e9m como um questionamento de nossa ordem social em todas as suas dimens\u00f5es, especialmente no que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses do centro e os perif\u00e9ricos. Isso \u00e9 poss\u00edvel? Como voc\u00ea pode evitar ser uma filial do que foi produzido \u2013 tempos atr\u00e1s \u2013 em territ\u00f3rio europeu? A quest\u00e3o est\u00e1 aberta, mas se intuirmos isso: um p\u00f3s-porn\u00f4 latino-americano que possa questionar esse paradoxo estabelecido entre o centro e a periferia na quest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e que possa dar a conhecer suas pr\u00f3prias reivindica\u00e7\u00f5es em termos de g\u00eanero e sexualidade ser\u00e1 uma verdadeira experi\u00eancia subversiva e emancipat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Este texto \u00e9 um trecho do livro USINA POSPORNO. Dissid\u00eancia sexual, arte e autogest\u00e3o na p\u00f3s-pornografia publicada em 2014 (t\u00edtulo de Ed.) Na Argentina.<br \/>\nPara ler o livro completo em espanhol, acesse: <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/257788678\/Laura-Milano-Usina-posporno\">https:\/\/es.scribd.com\/document\/257788678\/Laura-Milano-Usina-posporno<\/a><\/strong><\/p>\n<p>LAURA MILANO. Pesquisadora, docente, comunicadora. Doutoranda em Ci\u00eancias Sociais (FSOC-UBA). Graduada e Professora de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o (FSOC-UBA). Publicou o livro USINA POSPORNO: dissid\u00eancia sexual, arte e autogest\u00e3o na p\u00f3s-pornografia (ed.T\u00edtulo, 2014) e in\u00fameros artigos em compila\u00e7\u00f5es e revistas especializadas. Colaboradora em m\u00eddias gr\u00e1ficas e digitais na Argentina para temas relacionados a g\u00eaneros, feminismos, sexualidades, cultura alternativa. Ministra semin\u00e1rios e workshops sobre as intersec\u00e7\u00f5es entre arte, ativismo e sexualidade. Produz eventos culturais dedicados ao porn\u00f4 e ao feminismo na cidade de Buenos Aires.<\/p>\n<p><strong>Espa\u00f1ol:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Posporno sud-ac\u00e1 (fragmento)<\/strong><\/p>\n<p>La historia de la pospornograf\u00eda merece contemplar su reapropiaci\u00f3n desde Am\u00e9rica Latina y las torsiones pol\u00edticas, est\u00e9ticas, pornogr\u00e1ficas que se producen aqu\u00ed. Los referentes, las tem\u00e1ticas, los sustentos te\u00f3ricos <em>queer<\/em> del posporno europeo est\u00e1n siendo revisados desde nuestro continente a fin de encontrar las expresiones pospornogr\u00e1ficas propiamente latinas, acordes a los imaginarios sexuales a conquistar y a las reivindicaciones feministas que a\u00fan no se han conseguido alcanzar en estas tierras. Poner el ojo en la pospornograf\u00eda latinoamericana implica observar de cerca las nuevas producciones art\u00edsticas que trabajan en pos de visibilizar las diversas expresiones de la sexualidad que hist\u00f3ricamente fueron estigmatizadas en nuestro continente. Pero tambi\u00e9n implica una lectura cr\u00edtica sobre el problema de la hegemon\u00eda cultural que impregna tanto el desarrollo te\u00f3rico de las academias latinoamericanas como la producci\u00f3n art\u00edstica y de la cual nuestra pospornograf\u00eda no es ajena: tanto en el campo del pensamiento cr\u00edtico como en el de la expresi\u00f3n art\u00edstica, el camino siempre ha estado marcado por lo que hab\u00eda sido discutido y producido en los centros dominantes del mundo. A ello vamos en este texto, o al menos lo intentaremos. De cualquier modo, bienvenida sea la excusa para sumergirnos en la pospornografia producida en el sur o \u2013como me gusta llamarle cari\u00f1osamente- el posporno sud-ac\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Posporno latino \u00bfsucursal o emprendimiento?<\/strong><\/p>\n<p>Una vez m\u00e1s reviso las pel\u00edculas, los textos te\u00f3ricos, las referencias que se dicen obligadas en materia de pospornograf\u00eda y todo aquello que era necesario saber para investigar este tema. Una vez m\u00e1s completo renglones y renglones describiendo historias, argumentaciones y experiencias que suceden en otras tierras, bien diferentes a las nuestras. La ausencia de referencias regionales y locales se hace evidente. Una vez m\u00e1s la influencia de los pa\u00edses centrales delimita el camino de lo decible, de lo pensable y la perspectiva de lo observable. Los centros de producci\u00f3n de conocimiento m\u00e1s legitimados marcar\u00e1n la agenda, incluso en los temas de no-agenda p\u00fablica, como la pospornograf\u00eda. La producci\u00f3n de teor\u00eda, material audiovisual, fotograf\u00eda y de otras expresiones que nacen en los centros de arte y las academias europeas y estadounidenses ser\u00e1n aquellas que leeremos de este lado del mundo y que servir\u00e1n como material de formaci\u00f3n sobre el posporno. Y entonces diremos, sin repetir y sin soplar, que sabemos qu\u00e9 es el posporno y que queremos hacerlo y estudiarlo aqu\u00ed tal como sucede en aquellas latitudes sin hacer mucho caso a que \u2013a pesar de compartir el disgusto contra el sistema heteronormativo y la reivindicaci\u00f3n de las sexualidades disidentes\u2013 no somos lo mismo.<br \/>\nSe plantea entonces la misma situaci\u00f3n parad\u00f3jica que constantemente observamos y discutimos en nuestras universidades y centros de arte latinoamericanos: \u00bfse puede escapar a la influencia de las producciones simb\u00f3licas de los pa\u00edses centrales estando en la periferia? \u00bfSe puede producir conocimiento y expresi\u00f3n art\u00edstica con una perspectiva \u00edntegramente latinoamericana que ya no mire a Europa sino que se mire e piense a s\u00ed misma? \u00bfC\u00f3mo evitar la absorci\u00f3n acr\u00edtica del pensamiento y el arte producido fuera y tomar de aquello las herramientas te\u00f3ricas y expresivas que puedan sernos \u00fatiles para producir desde nuestro continente? Y para abrir el debate de c\u00f3mo esta paradoja se ve reflejada en la pospornograf\u00eda, vale pensar sobre estas preguntas: \u00bfc\u00f3mo apropiarse del posporno para que sea una herramienta potente para erotizar y activar nuestro imaginario sexual y no un simple dildo colonizante de penetraci\u00f3n implacable e invasiva? \u00bfC\u00f3mo llevar adelante una producci\u00f3n pospornogr\u00e1fica que no sea sucursal del posporno europeo sino un emprendimiento art\u00edstico-pol\u00edtico con una mirada local-regional?<br \/>\nA sabiendas de que gran parte de la producci\u00f3n pornogr\u00e1fica que consumimos viene de los grandes centros de producci\u00f3n, como Europa o Estados Unidos, podr\u00edamos caer en la misma dominaci\u00f3n cultural a trav\u00e9s de la pospornograf\u00eda si no pensamos una producci\u00f3n y una reflexi\u00f3n sobre la misma. Por ello, es importante problematizar el espacio de la pospornograf\u00eda a nivel local y latinoamericano. Olvidar esto nos llevar\u00eda a consumir el discurso pospornogr\u00e1fico anglosaj\u00f3n como un mero producto de importaci\u00f3n, sin tener una reflexi\u00f3n cr\u00edtica sobre las condiciones de producci\u00f3n en las que fue configurado y las condiciones de recepci\u00f3n en las que es consumido en Am\u00e9rica Latina.<br \/>\n<strong><br \/>\nSituadxs: Artistas y obras posporno sud-aca <\/strong><\/p>\n<p>La pospornograf\u00eda pensada y realizada desde Am\u00e9rica Latina presenta ciertas caracter\u00edsticas que la diferencian de la pospornograf\u00eda europea. Por una parte, realizan una cr\u00edtica al porno y al orden sexual desde relatos que permiten recuperar no s\u00f3lo las expresiones est\u00e9ticas de nuestras culturas latinoamericanas, sino tambi\u00e9n nuestras historias pol\u00edticas recientes. Pienso en el trabajo art\u00edstico de Felipe Rivas San Mart\u00edn, activista, te\u00f3rico y artista chileno integrante de la CUDS. En su video<em> Ideolog\u00eda<\/em> (2011), Felipe se masturba y acaba al modo <em>cum-shot<\/em> sobre la foto de Salvador Allende, al tiempo que produce una cr\u00edtica a las condiciones y mecanismos de producci\u00f3n pornogr\u00e1fica en la que el acto s\u00f3lo importa para ser registrado y toma valor pornogr\u00e1fico en la eyaculaci\u00f3n frente a c\u00e1mara. El video re\u00fane aspectos biogr\u00e1ficos que son narrados siguiendo el ritmo y el tono de los discursos pol\u00edticos, mientras la masturbaci\u00f3n frente a c\u00e1mara se intercala con im\u00e1genes importantes de la historia pol\u00edtica de Chile. La eyaculaci\u00f3n en primer plano sobre la foto del l\u00edder socialista chileno refuerza el artificio del porno y pone en evidencia su efecto ideol\u00f3gico.<br \/>\nEl segundo artista que me parece interesante mencionar es el mexicano Felipe Osornio &#8211; Leche de Virgen Trimegisto. Una de las cuestiones m\u00e1s potentes en su trabajo como artista performer es la presentaci\u00f3n del ano como una zona deseable y como paradigma de la desterritorializaci\u00f3n del placer. Si el porno nos muestra que la sexualidad se encuentra focalizada en nuestros genitales, el trabajo performance y audiovisual de Leche de Virgen Trimegisto nos convoca para erradicar esa verdad construida y mostrar otras partes del cuerpo posibles de ser zonas er\u00f3genas. Otro de los aspectos que es interesante de la propuesta posporno de este artista es su erotizaci\u00f3n del cuerpo a trav\u00e9s de lo abyecto, lo escatol\u00f3gico y de una est\u00e9tica marcadamente barroca que lo alejan del canon corporal marcado por la pornograf\u00eda, tal como puede verse en su trabajo de videoperformance <em>Stupra Purgata<\/em> (2011).<br \/>\nPor otro lado, el valioso aporte que algunas producciones posporno latinoamericanas est\u00e1n haciendo en pos de la legalizaci\u00f3n del aborto y la denuncia a la violencia de g\u00e9nero abren la posibilidad de considerar a la pospornograf\u00eda como canal de comunicaci\u00f3n y reflexi\u00f3n acerca de las reivindicaciones actuales de los feminismos en la regi\u00f3n. En este sentido, vale mencionar el trabajo de la artista colombiana Nadia Granados quien, a trav\u00e9s de su personaje La Fulminante, desarrolla un arte altamente pol\u00edtico y panfletario que quiere ir m\u00e1s all\u00e1 de lo simplemente est\u00e9tico y lo pornogr\u00e1fico. La Fulminante es una mujer sexualmente provocativa, sacada de las fantas\u00edas er\u00f3ticas construidas por la pornograf\u00eda. Usa la sensualidad de su cuerpo y la provocaci\u00f3n de sus gestos para la divulgaci\u00f3n de ideas libertarias contra la Iglesia, el Estado, la corrupci\u00f3n, el poder pol\u00edtico y, fundamentalmente, contra el patriarcado. Su trabajo es una clara apropiaci\u00f3n pospornogr\u00e1fica a partir de usar los recursos y los clich\u00e9s de la pornograf\u00eda y de la sensualidad femenina para dar un mensaje totalmente cr\u00edtico. Si la pornograf\u00eda muestra a la mujer como objeto sexual, La Fulminante toma ese rol que se ha impuesto sobre ella y lo usa para denunciar el sistema al que se opone. Adem\u00e1s del intenso trabajo como artista performer, La Fulminante cuenta con una plataforma web donde pueden verse sus producciones audiovisuales. S\u00f3lo por mencionar dos en las que se denuncia la penalizaci\u00f3n del aborto, valen mencionar el video <em>Maternidad Obligatoria<\/em> (2011), en el que ella hace un mon\u00f3logo frente a c\u00e1mara acerca de la despenalizaci\u00f3n del aborto en Latinoam\u00e9rica, la pobreza y la obligatoriedad de mantener embarazos accidentales o no deseados, mientras chupa sugestivamente un preservativo lleno de semen; y el video <em>Mujeres Reventando Cadenas<\/em> (2011) en el cual se va quitando peque\u00f1os mu\u00f1equitos-bebe de sus medias y meti\u00e9ndolos en un cond\u00f3n. Luego, infla el preservativo con su boca y lo hace estallar en mil pedazos.<br \/>\nOtros de los artistas latinoamericanos o radicados en Am\u00e9rica Latina que han colaborado en la expansi\u00f3n de la pospornograf\u00eda en nuestra regi\u00f3n son Frau Diamanda (Per\u00fa), Yla Ronson (Espa\u00f1a-Argentina), Hija de Perra (Chile), Eli Neira (Chile), Constanza \u00c1lvarez Castillo (Chile), Aily Habibi (Colombia-Argentina), Colectivo COIOTE (Brasil), entre muchos artistas emergentes del campo del arte contempor\u00e1neo o el activismo de la disidencia sexual. Aunque aqu\u00ed no fueron debidamente presentados, recomiendo fervientemente acercarse a sus trabajos y seguir navegando en la vasta producci\u00f3n pospornogr\u00e1fica que se viene desarrollando en nuestra regi\u00f3n y que invito a conocer en su totalidad.<\/p>\n<p><strong>Desde el culo del mundo, seguimos pensando<\/strong><\/p>\n<p>La pospornograf\u00eda producida desde nuestro continente no s\u00f3lo tiene la potencia de dar visibilidad a los deseos de los sujetos sexuales siempre marginados por la cultura profundamente machista y patriarcal de nuestros pa\u00edses, sino que tambi\u00e9n tiene la potencialidad de ser un discurso de denuncia y cr\u00edtica contra las m\u00faltiples opresiones \u2013clase, raza y g\u00e9nero\u2013 que operan sobre estos sujetos. El posporno puede actuar como discurso cr\u00edtico no s\u00f3lo de r\u00e9gimen heterosexual obligatorio, tal como lo expresa Monique Wittig, sino tambi\u00e9n como cuestionamiento de nuestro orden social en todas sus dimensiones, especialmente aquella que ata\u00f1e a las relaciones de dominaci\u00f3n entre los pa\u00edses del centro y la periferia. \u00bfSer\u00e1 posible esto? \u00bfC\u00f3mo evitar ser una sucursal de aquello que se produjo \u2013 all\u00e1 tiempo atr\u00e1s- en el territorio europeo? El interrogante est\u00e1 abierto pero si intuimos esto: un posporno latinoamericano que pueda cuestionar esta paradoja que se establece entre el centro y la periferia en materia de producci\u00f3n simb\u00f3lica y que pueda dar a conocer sus propias reivindicaciones en materia de g\u00e9nero y sexualidad, ser\u00e1 una verdadera experiencia subversiva y emancipadora.<\/p>\n<p><strong>Este texto es un fragmento del libro USINA POSPORNO. Disidencia sexual, arte y autogesti\u00f3n en la pospornografia publicado en 2014 (Ed. T\u00edtulo) en Argentina.<br \/>\nPara acceder al libro completo en espa\u00f1ol, ingresar a: <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/257788678\/Laura-Milano-Usina-posporno\">https:\/\/es.scribd.com\/document\/257788678\/Laura-Milano-Usina-posporno <\/a><\/strong><\/p>\n<p>LAURA MILANO. Investigadora, docente, comunicadora. Doctoranda en Ciencias Sociales (FSOC-UBA). Licenciada y Profesora en Ciencias de la Comunicaci\u00f3n (FSOC-UBA). Ha publicado el libro USINA POSPORNO: disidencia sexual, arte y autogesti\u00f3n en la pospornograf\u00eda (T\u00edtulo, 2014) y numerosos art\u00edculos en compilaciones y revistas especializadas. Colaboradora en medios gr\u00e1ficos y digitales de Argentina para temas vinculados a g\u00e9neros, feminismos, sexualidades, cultura alternativa. Dicta seminarios y workshops sobre los cruces entre el arte, el activismo y las sexualidades. Produce eventos culturales dedicados al porno y al feminismo en la Ciudad de Buenos Aires.<\/p>","protected":false},"featured_media":883,"template":"","tags":[85],"class_list":["post-882","posts_diversos","type-posts_diversos","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","tag-texto"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ediyporn.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts_diversos\/882","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ediyporn.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts_diversos"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ediyporn.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/posts_diversos"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ediyporn.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ediyporn.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ediyporn.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}